A diarreia neonatal responde por cerca de 32% das mortes em bezerras, e seus efeitos se estendem por toda a vida produtiva do animal. Animais que desenvolvem o quadro nos primeiros dias tendem a apresentar desempenho reprodutivo e produtivo inferior ao longo dos anos, o que transforma cada episódio em prejuízo real para o produtor.
A colostragem correta nas primeiras horas de vida é um dos principais fatores de prevenção desses problemas, garantindo a transferência adequada de imunidade para a bezerra em um período em que seu organismo ainda é extremamente vulnerável. Além da qualidade, a quantidade e o momento do fornecimento do colostro são determinantes para reduzir os riscos de enfermidades neonatais.
O uso indiscriminado de fármacos contribui para a resistência bacteriana e ignora alternativas que a pesquisa vem validando. O colostro é uma delas. Rico em imunoglobulinas, fatores de crescimento e peptídeos antimicrobianos, ele favorece tanto a resposta imunológica quanto a recuperação da mucosa intestinal.
Um estudo de Carter e colaboradores (2022) mostrou que bezerras suplementadas com colostro em pó a partir da detecção da diarreia se recuperaram mais rápido e apresentaram melhor desempenho após a doença.
Essa estratégia não substitui o tratamento clínico quando necessário, mas funciona como suporte complementar, reduzindo os danos que a diarreia causa à digestão, à absorção de nutrientes e ao ganho de peso. Para o produtor, significa usar um recurso já disponível na propriedade para proteger o potencial produtivo de cada animal.